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Rede assistencial: questões para um debate necessário


Há quase dois anos na Direção Executiva da GEAP, podemos falar com segurança que mais de 80% dos debates, reuniões e fóruns têm sido dedicados ao tema da rede de prestadores de serviços da GEAP.

Logo no início da gestão, quatro providências foram tomadas:

1. Recadastramento e vistoria em toda a rede de assistência, pois várias informações estavam desatualizadas ou incompletas, o que dificultava uma avaliação qualitativa da rede de serviços disponível, além de aumentar de forma significativa os custos operacionais da Fundação. Tal trabalho foi concluído no começo deste ano de 2005.

2. Elaboração de uma proposta de redimensionamento da rede para cada unidade estadual. O projeto está em andamento nas diversas superintendências e representações, tendo o segundo semestre como prazo de conclusão.

3. Pagamento de débito com prestadores, decorrente de glosas e cortes realizados em anos anteriores ao início dessa gestão, ocasionando tensão e descredenciamento de prestadores de serviço. Revisamos contas, reauditamos atendimentos e pagamos valores da ordem de mais de R$ 100 milhões, diminuindo, assim, as dificuldades relativas aos convênios com o mercado de assistência.

4. Atualização dos valores das tabelas hospitalares e implementação da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM) para os médicos, de forma que a GEAP possa se apresentar com preços competitivos no mercado e buscar uma rede mais qualificada. O processo está em curso, mas depende da receita disponível na Instituição, que vem se mantendo praticamente inalterada nos últimos 18 meses.

Além das medidas acima adotadas, duas questões têm se mostrado como desafios mais complexos a serem resolvidos:

a) O alto grau de dispersão dos assistidos da GEAP, que hoje estão espalhados em mais de 2.5 mil municípios brasileiros, exigindo um trabalho imenso da reduzida equipe de empregados da Fundação, gerando também um custo operacional mais alto.

b) A deficiência estrutural da rede de serviços de saúde no Brasil, particularmente no interior das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Algumas propostas vêm sendo discutidas para minimizar a falta de serviços como: serviços de teleatendimento (orientação por telefone com profissionais médicos e enfermeiros), rede em cidades-pólo regionais, convênios com navios-hospitais militares na região amazônica, agendamento de reuniões para discussão da questão no ECRENORD, em Teresina.

A par de todos esses encaminhamentos, no entanto, é preciso que os assistidos, particularmente os conselheiros, se conscientizem de que há um conflito permanente na área privada de serviços de saúde, não apenas para a GEAP, mas para todas as operadoras desse setor: a relação preço x volume de atendimento.

Os temas acima estão presentes em todas as negociações que fazemos com a rede prestadora de serviços e nessa linha é necessário que o assistido, em especial o das autogestões, tenha claro como funciona o mercado, para que possamos implementar proposta que não inviabilize o plano de saúde.

É preciso estar consciente de que quanto maior for a rede, menor será o volume de atendimentos que poderemos oferecer, e mais cara será a tabela de preços. Isso ocorre pois o hospital ou clínica, assim como a GEAP, vai ter que montar toda uma parte operacional para fazer o convênio, e se o número de pessoas atendidas naquela instituição for muito pequeno não compensará os custos de tal procedimento.

Portanto, quanto maior a rede credenciada, mais caro será o atendimento e maior a participação do assistido, pois menor será o volume de atendimento que a GEAP terá para oferecer e negociar. Infelizmente, estamos falando de uma rede de serviços privada que não trabalha sem margem de lucro e que não terá interesse num credenciamento se esse (lucro) não estiver garantido.

Assim, é premente que se faça uma discussão levando em consideração todas as questões que permeiam o processo de negociação: qualidade, quantidade e preço; lembrando que muitas vezes uma questão vai de encontro a outra, devendo haver ponderação no conjunto da proposta e não simplesmente a limitar-nos a buscar mais rede.

É fundamental que os CRRs aprofundem o debate e o ampliem aos demais assistidos da Fundação.

Artigo da Diretora Executiva, Regina Parizi, publicado no site da GEAP e distribuído hoje no V Encontro de Conselhos Regionais de Representes do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

26.04.2005