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Saúde do estado em crise
O Dia - 19/12/2007

Rio - Vinte e cinco das 33 unidades de saúde do estado não têm condições adequadas de funcionamento, segundo estudo da Secretaria de Estado de Governo. Problemas de gestão, recursos humanos, estrutura predial e equipamentos, além da falta de medicamentos e insumos foram destacados no relatório, que classificou o Iaserj de Niterói e o do Rio, além do Hospital Universitário Pedro Ernesto, como as piores unidades. Eles foram considerados “péssimos” na pesquisa.

“Vim fazer exame ginecológico, mas não tinha material para coleta. Me mandaram voltar em fevereiro. Se eu tiver que morrer até lá, eu morro. O hospital nunca esteve tão ruim”, disse a pensionista Maria de Fátima de Carvalho, 42 anos, que esteve ontem no Hospital Central do Iaserj.

SEM ELEVADORES

A unidade está com CTI e centro-cirúrgico desativados. Além disso, ontem apenas quatro de 13 elevadores funcionavam, o que obrigava pacientes e funcionários a usar escadas. Já o resultado do Pedro Ernesto é polêmico: a unidade enfrenta falta de verbas.

O levantamento, feito a partir de vistorias, indica ainda falta de insumos para serviços clínicos, cirúrgicos, intensivos e de diagnósticos em 23 unidades. Outras quatro tiveram o desempenho avaliado como “ruim”: Instituto Aloysio de Castro, Hospital Anchieta, Tavares Macedo e Centro Estadual de Tratamento e Reabilitação de Adictos. Os únicos apontados como de excelência foram o Hospital Regional de Barra de São João, na Região dos Lagos, e o Melchiades Calazans, em Nilópolis.

A partir dos resultados das vistorias, o governo vai traçar metas que serão cobradas dos diretores e da Secretaria de Saúde. A pesquisa somente analisou as condições estruturais, de atendimento e gestão.

“Não se trata de intromissão da Secretaria de Governo, mas de auxílio para identificação de problemas”, disse o secretário de Governo, Wilson Carlos de Carvalho. A Secretaria de Saúde admite ter recebido o relatório segunda feira. Mas alega que ainda não teve tempo para analisá-lo.

A situação é tão crítica que o próprio governo estabeleceu metas tímidas. Na avaliação, feita em outubro e novembro, o indicador de qualidade médio das unidades foi de 65,36% — considerado regular na metodologia da pesquisa. O resultado está acima da meta a ser cumprida ano que vem: 65%. Em tese, o governo não vai cobrar avanços significativos.

Para 2009 e 2010, os indicadores serão de 70% e 80%.

Sofrimento dos pacientes

A situação do Iaserj, no Centro do Rio, é de abandono. Todos os dias, pacientes e funcionários são obrigados a subir e a descer os nove andares da unidade por falta de manutenção nos elevadores. “Vim à procura de tratamento para as varizes. Por causa do sobe-e-desce, estou saindo com as pernas mais inchadas do que quando cheguei”, reclama a doméstica Teresa dos Santos Couto, 67. Mas os usuários do segundo pior hospital no ranking da Secretaria de Estado do Governo se queixam também do déficit de médicos, insumos e remédios. “O hospital não tem nem água para os funcionários. Quem não quiser morrer de sede, tem que trazer de casa”, lamenta a instrumentadora Vera Lúcia Abate, 60.